Janeiro de 2026: Mundo Parte 7/7: África e Ásia
A tensão cresce no Sudão do Sul e há risco de um recrudescimento da sangrenta guerra civil que devastou o país na década passada. No Sudão, ao norte, que enfrenta a pior guerra civil do momento, a Corte Penal Internacional denunciou crimes de guerra de uma das partes, as Forças de Sustentação Rápida, descendentes dos janjaweed, que perpetraram genocídio em Darfur na década de 2000. Após a destruição dos programas de ajuda humanitária por Trump, seu governo está tentando reconstruí-los com a contrapartida de que os países se alinhem com políticas ideológicas “antiwoke”, acesso a recursos minerais e compra de produtos americanos.
Na China, está em curso o maior expurgo nas Forças Armadas desde 1971.
Cobertura desta edição: 15/01/2026 a 11/02/2026
Índice
Índice geral desta edição
ÁFRICA E ÁSIA
- Resumo
- O Sudão do Sul à beira do abismo - de novo
- Crimes de guerra no Sudão
- Auxílio americano sob condições trumpistas
- Expurgos recordes na China
- Indonésia
- Referências
O Sudão do Sul à beira do abismo – de novo
No vizinho Sudão do Sul, apreensão geral. Seguidores dos dois rivais que protagonizaram a sangrenta guerra civil de 2013-2018 que deixou 400 mil mortos se enfrentaram novamente no fim de dezembro na província de Jongblei. De lá para cá, a tensão vem aumentando muito perigosamente: tropas são acumuladas e os líderes militares vêm agravando a situação com declarações incendiárias. No dia 25, enviados da ONU soaram um alarme de risco de conflito étnico generalizado.
A tensão é entre as forças armadas regulares, que obedecem ao presidente Salva Kiir, e as forças leais ao vice-presidente Riek Machar, as chamadas SPLA-IO. Este Machar havia sido preso em março e, em setembro, declarado culpado de crimes contra a humanidade, cometidos na guerra civil da década passada, e neste momento está esperando julgamento[1]. Como pano de fundo, uma rivalidade entre os dois principais grupos étnicos do país: os Dinka, que é a etnia de Kiir, e os Nuer, a de Machar. Jonglbei é majoritariamente nuer[2].
Crimes de guerra no Sudão
A Corte Penal Internacional, sediada em Haia, denunciou crimes de guerra e crimes contra a humanidade perpetrados por uma das partes em conflito no Sudão, as Forças de Sustentação Rápida (FSR), que lutam contra as tropas do governo desde abril de 2023[3]. Essa guerra mergulhou o país no que a ONU considera a pior crise humanitária do mundo. El-Facher foi conquistada pela FSR em outubro de 2025 e o que se seguiu foi um terrível massacre da população.
A acusação vem se somar a uma outra, referente à guerra civil anterior, também em Darfur, na década de 2000, quando um genocídio da população não-árabe foi perpetrada pela milícia Janjaweed - da qual saíram os membros da FSR. A CPI também reiterou o pedido de prisão de antigas autoridades do país, entre as quais o ex-presidente Omar Al-Bachir.
Auxílio americano sob condições trumpistas
Depois de Trump ter destruído os programas de ajuda humanitária dos Estados Unidos às regiões mais vulneráveis do mundo, incluindo o desmonte da Usaid, seu governo está tentando reconstruir esse tipo de atuação em outros termos, vinculando-a ao alinhamento a seus programas ideológicos. Desde setembro, foram assinados acordos desse tipo com uma dúzia de países africanos. Em 23 de janeiro, foram anunciadas regras que incluem limitar o acesso ao aborto e restrições a gastos na promoção de diversidade, igualdade e inclusão.
As exigências também requerem comprar produtos americanos e permitir acesso aos seus recursos minerais (como em um acordo com Zâmbia). Também é necessário investimento doméstico na saúde (o que em princípio é bom). Um acordo com a Nigéria fracassou porque os EUA exigiam que houvesse ênfase da ajuda para comunidades cristãs. Num desses programas, por exemplo, uma empresa americana atira de paraquedas bolsas de sangue, vacinas e medicamentos essenciais sobre cerca de 5 mil clínicas em Gana, Costa do Marfim, Quênia, Nigéria e Ruanda[3.1].
Expurgos recordes na China
Na China está acontecendo maior expurgo no comando das Forças Armadas desde 1971, desde o alto escalão até níveis hierárquicos mais baixos. É difícil saber o que isso significa na prática para o país, por causa da opacidade de sua política interna. Segundo a Economist, isso não significa necessariamente uma luta pelo poder, mas o modo como o Partido Comunista disciplina a si mesmo, uma vez que ele está acima da lei e de escrutínios da imprensa[4]. Isso acontece periodicamente, mas o tamanho do expurgo da vez chama muito a atenção.
Indonésia – Jacarta, a capital do país, é hoje o maior aglomerado urbano do mundo, com nada menos que 42 milhões de habitantes[5].
Referências:
[1] The Economist 29/01/2026, “The World This Week”
[2] Le Monde 25/01/2026
[3] Le Monde 20/01/2026
[3.1] The Economist 05/02/2026
[4] The Economist 29/01/2026
[5] The Economist 11/12/2025
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